Curadorias

A DIVERSIDADE, além de sua condição para a inovação!
Artigo de Eduardo Marques

O mundo, a sociedade, os governos, as empresas e todos nós como indivíduos, temos sido colocados a prova em relação a valores e a nossa condição humana, pela ótica das questões da diversidade e como ela vem sendo refletida nos espaços de coletividade atualmente. Hoje quero trazer um pouco do que acredito sobre diversidade, tolerância, acolhimento e respeito, e como isso impacta nas organizações para construir um ambiente de inovação.

Para falar de diversidade, começaremos refletindo sobre preconceito. Todos nós temos os nossos preconceitos e vieses, afinal historicamente fomos criados em uma sociedade competitiva com diferenças entre grupos majoritários e minoritários. Todo preconceito, de um lado, é tolo pois o representa o desconhecimento sobre diversidade e da importância que ela tem em nossa sociedade, e por outro lado, covarde, pois tem tanto medo de ser como é, que quando vê o diferente a sua frente, o considera uma ameaça, seja por orientação sexual, cor da pele, condição social, crença, ideologia política, origem ou seja lá o que for.

Outra reflexão é sobre a diferença entre as palavras conflito e confronto. O conflito aborda a divergência de idéias – eu penso diferente do outro mas não quero anular o outro. Já o confronto traz a perspectiva de anular o outro, ou a ideia do outro. Podemos ter opiniões e ideias diferentes, até estarmos em lados opostos da mesa, mas o respeito ao outro e fundamental. O que nos moveu até aqui como sociedade, não nos levará adiante, precisamos entender que o confronto não tem mais espaço. Daqui em diante devemos privilegiar juntar nossas inteligencias, ter senso do coletivo, acolher e respeitar as diferenças e a diversidade.

Em recente estudo do Fórum Econômico Mundial sobre Diversidade, Equidade e Inclusão, vemos claramente o quanto esse tema está na agenda de políticas, programas e ações para criar um ambiente inclusivo que privilegia o respeito, onde o que prolifera é a construção coletiva da diversidade de ideias, pois as pessoas se sentem a vontade de expressar suas opiniões sem medo de serem julgadas, o que amplia a perspectiva de nutrir um ambiente de inovação. Esse acolhimento e respeito as ideias diferentes, é o cerne na diversidade, o que gera um impacto positivo não apenas no clima interno da empresa, mas na comunidade aonde ela opera, na sua marca, na vida de seus clientes e no seu papel na sociedade. As gerações mais novas, baseiam sua escolha por consumo e marca, não apenas pelo produto, mas o que ele representa como papel social e de sustentabilidade para o planeta.

Esse estudo, também identifica os três pilares principais de impacto da diversidade na sociedade: (1) o moral, baseado no papel social da empresa já salientado no paragrafo anterior; (2) o legal, a Organização Mundial do Trabalho e outros organismos internacionais vem instituindo convenções para equidade de tratamentos e eliminação da discriminação de qualquer forma na sociedade e (3) o econômico, estudos de renomados institutos apontam que times diversos e em ambientes seguros melhoram em média de 25% a 35% a tomada de decisão, a inovação e a lucratividade ao ser comparado com times mais homogêneos e em ambientes tradicionais.

Enfim, a diversidade é uma das condições para o ambiente de inovação, não apenas por aceitar o outro, independente da sua condição de gênero, raça ou condição social, mas porque aceita e acolhe a diversidade de idéias e opiniões, e as pessoas passam a se sentir parte do todo, ampliando a sua percepção de pertencimento engajamento.

Por último, quero apenas chamar a atenção sobre o modismo do assunto nas empresas e nos espaços de fala coletivos sobre diversidade, pois percebo que em algumas vezes, estes espaços não trazem a legitimidade e representatividade de alguns grupos. Por exemplo, eu não me considero capaz de falar sobre discriminação social, afinal faço parte de um grupo de privilegiados. Nesse sentido, eu não estou dentro dessas condições e não sinto isso na pele e no olhar, podendo ser apenas capaz de falar “sobre” e não “de”. Por outro lado sou capaz de falar “de” discriminação sobre gênero, pois nesse caso, eu estou dentro da questão e sinto isso na pele e no olhar, o que me legitima e amplia a minha representatividade nesse espaço de fala. Convido vocês a utilizar o senso critico para separar e avaliar os discursos e as ideias apresentadas, se são de fato representativas e legítimas sobre o tema. Entender e escutar pelo olhar de quem realmente vive a discriminação, vai nos ajudar a ampliar o olhar que temos sobre o assunto. Isso é empatia respeito!

E viva a diversidade!

 

Eduardo Marques é HR, Organizational Development, Learning, Diversity, Digital Transformation, Innovation, Agile, Facilitator, Speaker e Writer

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