Transformação digital: por que não podemos vencer os desafios do RH em moldes obsoletos

Com as mudanças geradas pela transformação digital e pela adoção de novos modelos de negócio, as políticas, programas e ferramentas nas quais os profissionais de RH se apoiavam não são mais suficientes. As práticas do RH de hoje, predominantemente burocráticas, não são capazes de responder aos desafios atuais das empresas, muito menos os do futuro.

Esse é um dos principais assuntos abordados pelo especialista em RH Marco Ornellas em seu livro DesigneRHs para um novo mundo – Como transformar o RH em designer organizacional, lançado no fim de outubro deste ano. A publicação aborda, principalmente, o fato de a gestão de recursos humanos estar atravessando um período de transformação nunca antes vivenciado e como a insistência em encaixar os novos desafios em moldes obsoletos está impedindo a agregação de valor ao negócio.

Na América Latina, os projetos motivados pela transformação digital estão gerando investimentos significativos em tecnologia. Dados divulgados pelo IDC Latin America, por exemplo, mostram que, em 2020, quase metade do gasto empresarial de infraestrutura de TI vai ser em baseado em soluções na nuvem. O mercado de Internet das Coisas deve valer US$ 15,6 bilhões em 2020.

Apesar disso, em muitas empresas, a revolução digital serviu apenas para informatizar os processos. A tomada de decisões continua lenta – talvez até mais lenta devido à complexidade do ambiente e à falta de integração entre sistemas e pessoas. Ou seja, a adoção da tecnologia não trouxe a visão do todo, tampouco combateu a burocracia e a ineficiência.

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Diante deste cenário, o colaborador, em vez de ganhar autonomia e flexibilidade, continua preso a “templates”, com políticas e regras obsoletas que apenas servem para mostrar que ele não é nada mais que um número dentro da organização.

Em seu livro, Ornellas defende que a transformação real não acontece sem que a área de RH participe ativamente como agente de mudança e como cocriadora de uma cultura de valores que suportem a visão de futuro da empresa. Ou seja, se antes conceitos comuns a todas as organizações, como gestão de desempenho, avaliação de clima organizacional e políticas internas, eram importantes, hoje eles nada mais são do que commodities.

Esse é o primeiro passo para que, em um cenário de transformação digital, o RH recupere seu protagonismo e, para isso, ele precisa se aproximar do negócio e aumentar sua área de atuação, que até então é restrita ao operacional. Para isso, os executivos de RH devem se responsabilizar tanto por métricas qualitativas e quantitativas no curto e no longo prazo. No caso das empresas cada vez mais complexas, esses profissionais terão de, não apenas preencher papéis, mas criá-los.

O RH como agente de mudanças

Segundo explica Ornellas, o RH sempre foi muito sensível a mudanças. No entanto, o conceito de RH como agente de mudanças é relativamente recente, criado por David Ulrich, um dos dez melhores educadores do mundo em disciplinas gerenciais, nos anos 1990.

Essa transição inclui abandonarmos, desapegarmos de um olhar operacional e administrativo, uma abordagem de policiamento e uma atividade centrada na função para adotarmos um olhar centrado no futuro, nas pessoas, no negócio, nas estratégias e nas soluções inovadoras. Aqui cabe muito a premissa: o problema nunca é como entrar pensamentos novos, inovadores em nossa mente, mas como colocar para fora o velho.

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Como enfrentar esse momento de transição?

Diante deste cenário, como desenvolver um olhar estratégico para tornar-se um parceiro do negócio e ser um agente de mudança? A maioria dos profissionais de hoje é, por natureza, burocrática e operacional. A área de RH não pensa ou debate sobre o futuro do seu próprio terreno, portanto, não desenvolve um olhar crítico sobre suas próprias abordagens.

De acordo com o autor de DesigneRHs para um novo mundo, para recuperar seu protagonismo, o RH precisa:

  • Dar um salto qualitativo: As pessoas são, hoje, responsáveis por suas próprias carreiras, seu desenvolvimento, suas escolhas e suas metas. Falamos de propósito, protagonismo e accountability. Não cabe mais ao RH traçar rotas para os funcionários, nem motivá-los ou fomentar seu crescimento – isso agora é função dos próprios colaboradores e dos líderes. O RH deve tirar proveito da revolução tecnológica e integrar sistemas para contribuir com programas que incentivem a inovação
  • Dar um salto quântico: Tornar-se um designer organizacional e adotar uma nova maneira de pensar e abordar os problemas e cenários, e a figura do designer organizacional é importante para dar esse salto. Esse profissional usa ferramentas de design, incluindo o conceito de design thinking, para construir projetos centrados nas pessoas. A área de RH então se torna responsável por pensar de maneira estratégica, de fora para dentro, para tornar a jornada dos funcionários mais colaborativa e coerente.
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O papel do design organizacional em um período de transformação digital

Ao contrário do que tem sido feito em muitas empresas, em que a revolução digital tem servido apenas para digitalizar processos, o designer organizacional usa a tecnologia como sua aliada, além de se preocupar com as experiências vividas.

Esse profissional é sensível ao seu entorno e coloca o indivíduo como protagonista da história, não mais como um recurso. O campo de atuação do designer organizacional se alimenta, principalmente, da incerteza para promover o aprendizado, ampliar competências organizacionais e gerar soluções.

O designer organizacional combina aspectos do consultor com o do coach, e tem a capacidade de se expandir na medida em que a complexidade e a diversidade do ambiente crescem. Com isso, a área de RH pode fomentar uma cultura que valoriza a transformação e o comportamento crítico.

A Ornellas Consultoria tem desenhado, ao longo dos anos, uma série de dinâmicas para exercitar os atrofiados músculos da imaginação e da inovação dos profissionais de RH, usando desde abordagens mais racionais e sistemáticas até metáforas do circo e do teatro passando por workshops e oficinas com temas atuais e disciplinas disruptivas.

Compre seu exemplar de DesigneRHs para um novo mundo, de Marco Ornellas ou acesse o site www.ornellas.com.br e acompanhe nossa programação e se prepare para o futuro.