Reescrevendo as regras para uma era digital

Reescrevendo as regras para uma era digital. Esse é o título da nova edição do Relatório Deloitte – 2017 Tendências Globais do Capital Humano.

As organizações foram desenhadas, projetadas e orientadas para a eficiência e eficácia, modelo esse que não se ajusta mais aos novos tempos, em um contexto de imprevisibilidade e desorganização. Em vez da mera eficiência, as organizações, hoje, precisam ter desenhos que favoreçam a velocidade, a agilidade e a inovação, para que possam surfar nesse novo ambiente de negócios.

É senso comum que precisamos de novas ideias para um novo mundo. É fato que não podemos nos adaptar a um sistema doente. A era digital pede novas regras e um novo posicionamento, pede ruptura com o velho, e impõe uma organização nova.

O Relatório Deloitte 2017 – Tendências Globais do Capital Humano reflete as mudanças profundas do mundo dos negócios, em uma era já denominada de a Quarta Revolução Industrial.

A mudança rápida não está se limitando à tecnologia, mas afetando e convidando toda a sociedade a um repensar de novos valores, uma nova economia e um novo jeito de tratar as questões ambientais. Nesse “tsunami”,  não podemos continuar a operar de acordo com paradigmas antigos, é preciso adotar uma nova forma de pensar e desenhar nossas empresas. O RH como um designer organizacional.

Dispositivos móveis, sensores, inteligência artificial e robótica são alguns exemplos de como a tecnologia afeta nossas vidas de forma exponencial, enquanto nossa capacidade (dos indivíduos, das organizações e da sociedade) em responder é linear. Há um colapso e um total descompasso. O futuro é agora e exige uma ação imediata.

Relatório DeloitteEssa inquietação com o ritmo das mudanças tecnológicas não é nova, lá atrás já vivemos isso, mas como percebemos no gráfico, há um descompasso. A grande contribuição do Relatório da Deloitte indica que as empresas devem se concentrar mais em estratégias de carreira, mobilidade de talentos, ecossistemas e redes organizacionais para propiciar com que as pessoas e as organizações se reinventem. É preciso desenhar uma nova liderança, estruturas e realizar temas como diversidade e inclusão digital. É preciso considerar a tecnologia e a experiência dos colaboradores (employee experience) de uma maneira nova e efetiva, longe das mudanças paliativas que fizemos ao longo dos últimos anos.

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RH no centro da transformação

As estrutura estão velhas, as práticas ultrapassadas e concebidas na era industrial, e os ambientes ainda estão pesados, feios e centrados na desconfiança, no comando e controle. E, se observarmos as políticas públicas como a desigualdade de renda, desemprego, imigração e diversidade, o cenário não é muito diferente e os avanços também são lentos.

RH tem uma enorme janela de oportunidade para ajudar líderes e organizações a se reinventarem. O futuro é agora.

Temos tratado esse tema ao longo dos últimos anos na nossa Formação em Designer Organizacional, uma experiência única, mudança de mindset e co-criação de novas práticas.

O Relatório Deloitte 2017 – Tendências Globais do Capital Humano aponta as seguinte tendências:

 

 

TENDÊNCIA 1. A ORGANIZAÇÃO DO FUTURO: É AGORA

O ritmo de mudança e a pressão constante foram os desafios mais importantes identificados pelos executivos pesquisados. Quase 60 por cento dos entrevistados avaliaram esse problema como muito importante, e 90 por cento o classificaram como importante ou muito importante. Esse nível de interesse sinaliza uma mudança de design da nova organização para a construção de ecossistemas e redes organizacionais. A agilidade é outro fator central na organização do futuro.

TENDÊNCIA 2. CARREIRAS E APRENDIZAGEM: O TEMPO TODO E A TODO MOMENTO

O conceito de “carreira” está sendo reinventado, levando as empresas a experiências de aprendizagem que permitam com que seus funcionários desenvolvam habilidades mais rapidamente, facilmente e do seu próprio jeito. Novos modelos de aprendizagem desafiam a ideia de uma carreira estática e linear e refletem a baixa vida de algumas habilidades.

TENDÊNCIA 3. AQUISIÇÃO DE TALENTOS: O RECRUTADOR COGNITIVO

À medida que os empregos e as habilidades mudam, encontrar e recrutar as pessoas certas se tornou mais importante do que nunca. A aquisição de talentos é agora o terceiro desafio mais importante que as empresas enfrentam. Ferramentas de redes sociais, analíticas e cognitivas estão sendo usadas para encontrar as pessoas, atraí-las através de uma identidade e marca global e apontar quem se encaixará melhor no trabalho, equipe e empresa. Uma nova geração de tecnologias cognitivas está transformando radicalmente o recrutamento, e isso é apenas o começo.

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TENDÊNCIA 4. A EXPERIÊNCIA DO EMPREGADO: CULTURA, ENGAGAMENTO E IR ALÉM

A cultura e o envolvimento são partes vitais da experiência dos funcionários, e as organizações estão ampliando seu foco para incluir toda a jornada do funcionário do momento em que entra até o momento em que se desliga. Entender as necessidades da sua força de trabalho, o redesenho do local de trabalho, o cuidado com o bem-estar e a produtividade do trabalho tornaram-se o mandato de RH.

TENDÊNCIA 5. GESTÃO DE DESEMPENHO: CONSISTÊNCIA E RESULTADO

Nos últimos cinco anos, as empresas experimentaram novas abordagens de gerenciamento de desempenho que enfatizam feedback contínuo e coaching, reduzindo o foco na avaliação.

Recentemente em visita à sede da IBM Watson em NY, ouvimos sobre a mudança no sistema de gestão, a criação e a inclusão de três pilares: Appreciation, Coach e Evaluation. De avaliar para categorizar para avaliar para desenvolver, conversar e orientar.

Novas abordagens para o gerenciamento de desempenho estão sendo criadas, e os primeiros resultados já apontam uma mudança na cultura do desempenho.

TENDÊNCIA 6. LIDERANÇA DISRUPTIVA: PRESSÃO PARA AMPLIAR AS FRONTEIRAS

À medida que as empresas se transformam e os modelos organizacionais digitais emergem, a liderança também precisa ser alterada. 80% dos entrevistados apontam que a liderança é uma questão importante. As organizações estão clamando por líderes mais ágeis, diversos e mais jovens, bem como por novos modelos de liderança que dominem a “maneira digital” de gerir negócios. Há sinais de organizações empurrando os limites e fronteiras da hierarquia tradicional para uma nova geração de líderes que prosperam em uma rede ágil e colaborativa.

TENDÊNCIA 7. RH DIGITAL: PLATAFORMAS, PESSOAS E TRABALHO

E se a empresa se torna digital, o RH precisa ser o líder, indo além das plataformas para o desenvolvimento de locais de trabalho digitais e uma mão-de-obra digital. É fato que as pessoas estão mudando a forma como trabalham, como se comunicam e como se relacionam!

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Como dissemos acima, há uma janela de oportunidade de mudança, primeiramente em RH.

TENDÊNCIA 8. ANÁLISE DE PESSOAS: RECALCULANDO A ROTA

A inteligência artificial e os dados sobre as pessoas tornaram-se muito importantes, para além das análises de pessoas, mais como uma disciplina de negócio. Ainda assim, infelizmente, apenas 8% das organizações relatam ter dados utilizáveis, enquanto apenas 9% acreditam ter uma boa compreensão dos fatores de talento que dirigem a performance. A caminhada é longa.

TENDÊNCIA 9. DIVERSIDADE E INCLUSÃO: O GAP REAL

Os executivos não podem mais abdicar das estratégias de diversidade. Um novo foco na responsabilização, dados, transparência e diversidade são agora questões no nível do CEO. Apesar destes esforços, ainda vemos uma lacuna enorme da realidade. As questões em torno da diversidade e da inclusão continuam a ser frustrantes e desafiadoras para muitas organizações.

TENDÊNCIA 10. O FUTURO DO TRABALHO: A FORÇA DE TRABALHO AUMENTADA

A robótica, a inteligência artificial, os sensores e a computação cognitiva passaram a ser itens do nosso dia-a-dia. As empresas não podem continuar a considerar sua força de trabalho somente nos funcionários pertencentes ao seu quadro de pessoal, é fundamental ultrapassar fronteiras e olhar a força de trabalho aumentada.

PRÓXIMO PASSO: CONSTRUINDO A ORGANIZAÇÃO DO FUTURO

Já estão disponíveis no mercado uma infinidade de ferramentas, técnicas novas e exemplos, oferecendo e comprovando contribuições valiosas para a construção da organização do futuro. Mas, para isso precisamos reescrever novas regras e construir uma organização que dentre outras coisas:

  • Esteja orientada para a aprendizagem, inovação e olhar no cliente;
  • Seja estruturada em formato de rede ágil, com líderes de equipe e alimentada por colaboração e compartilhamento de conhecimento;
  • Com uma estrutura baseada em projetos, com equipes focadas em produtos, clientes e serviços;
  • Que valorize as pessoas pelas experiências diversas e contribuição;
  • Com uma liderança orquestradora e que crie outros líderes que cresçam em influência e autoridade;
  • Com uma cultura de abundância e que estimule o risco e a inovação.

Texto escrito pela Equipe da Ornellas a partir do Relatório Deloitte, o qual sugerimos um profundo mergulho.