Metade dos profissionais de RH dedica apenas 1 hora do seu tempo aos estudos

É redundante dizer que o aprendizado constante é importante para o desenvolvimento profissional. Mas, infelizmente, ainda é algo que precisa ser sempre reforçado, pois as pessoas não colocam os estudos como parte do seu dia a dia de trabalho. Em qualquer profissão, existe a necessidade de estar em busca de conhecimento, principalmente no RH, onde se gerencia pessoas que também estão em constante processo de mudança de hábitos e comportamento.

A área de RH carrega uma grande responsabilidade neste período de transformação digital e preparo para o ambiente de trabalho do futuro. Estamos passando pela Quarta Revolução Industrial e uma pesquisa do Institute For The Future estima que 85% das profissões que vão existir em 2030 ainda não foram criadas. Isso significa que alguns cargos deixarão de existir para a entrada de novos. E onde o RH entra? No preparo das lideranças e dos colaboradores a fim de deixá-los prontos para esse novo cenário.

E, então, temos um impasse. Como os profissionais de RH vão preparar líderes e funcionários para o futuro, se estamos diante de uma nova sociedade, novos valores, novas formas de se comportar e diferente de tudo que já vivenciamos? A resposta para isso está em entender o mundo ao nosso redor, estudar, ler e se manter altamente informado. Quando se trata de gerenciamento de pessoas, a complexidade do comportamento humano é o primeiro desafio. É preciso entender os impulsos, as paixões e as aspirações dos indivíduos. Complexidade requer diálogo genuíno, diferentes perspectivas e muita curiosidade e descobertas.

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A habilidade de entender o comportamento das pessoas e suas constantes mudanças não é algo que acontece repentinamente. Os grandes especialistas em comportamento humano e evolução do mercado também são grandes estudiosos que dedicam parte significante do seu tempo a estudos e pesquisas. Por isso, os profissionais de RH que desejam se manter vivos no mercado e estar preparados para um modelo novo de trabalho precisam designar tempo e esforços na busca de novos conhecimentos.

Estudar, ler, não pode ser visto como um peso

Os modelos tradicionais de treinamento ofuscaram um pouco a importância de adquirir conhecimento. Isso porque, muitas vezes, os treinamentos aplicados nas empresas realmente não surtiam efeito. Os funcionários os viam como uma obrigação chata que atrapalhava seu cronograma de trabalho e prejudicava sua agenda. E um dos motivos para isso é o fato de que, infelizmente, em alguns casos, eles estavam certos, pois os treinamentos já não os ajudavam a melhorar os processos e ter uma nova perspectiva sobre seu papel dentro da empresa.

E o problema não está em insistir em oferecer treinamentos, mas, sim, na forma como eles são aplicados dentro das organizações. Se colocar os funcionários dentro de uma sala durante um dia inteiro para ouvir outra pessoa falar não está dando resultados, é preciso mudar a forma de como isso é realizado. A tecnologia abre um leque de opções para tornar esse processo mais significativo e customizado para a necessidade de cada empresa e cada colaborador. Portanto, não há motivos para continuar insistindo em modelos de aprendizado obsoletos, ainda mais se eles não estão funcionando.

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A busca por conhecimento precisa se tornar um hábito dentro das empresas, a começar pela área de RH. Isso não quer dizer que os profissionais devem buscar imediatamente por pós-graduações, mestrados e doutorados. O processo de aprendizado deve ser implantado a um passo de cada vez, começando por artigos de especialistas, pesquisas de instituições renomadas, livros segmentados, entre outros. O principal fator que impede profissionais de estudar é o foco no modelo tradicional de aprendizado, que faz com eles adiem por falta de tempo e investimento. E isso precisa ser desconstruído para que haja espaço para novas formas de aprendizagem. Podemos dizer que existe uma necessidade urgente de nos dedicarmos a uma série de disciplinas disruptivas ao invés das tradicionais.

A partir do momento em que os profissionais de RH aceitarem novas formas de aprendizagem, o processo de criação do hábito de estudar tem mais chances de obter êxito. E, quando for um hábito, todos serão capazes de enxergar os benefícios que estudos diários trazem para o ambiente de trabalho. É impossível se preparar para o futuro sem uma base sólida de conhecimento. E, pensando que logo será a vez do RH incentivar as demais áreas da empresa a criarem o hábito de estudar, o momento de mudar esse cenário é agora.

A necessidade de criar uma nova cultura organizacional

A falta de dedicação ao conhecimento também se deve a quantidade de tarefas operacionais a qual muitos profissionais ainda estão presos. Mesmo com o uso de ferramentas para otimizar o trabalho, existem processos burocráticos que exigem a participação de pessoas para serem executados. Se não desapegarmos dificilmente vamos conseguir nos doar e nos entregar para o novo.

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Uma nova cultura significa um novo ambiente de trabalho e outras habilidades humanas para resultados mais positivos. Levando em conta que a tecnologia já é capaz de cumprir diversas tarefas com mais agilidade e baixo índice de erro, esta é a hora de usufruir mais da inteligência humana associada a inteligência artificial. Ou seja, fazer com que os profissionais usem mais sua criatividade para pensar o trabalho, propondo ideias inovadoras e buscando novas formas de trabalhar com mais sentido e significado e delegue para a tecnologia o trabalho repetitivo. Também significa um ambiente de trabalho que incentiva a busca por conhecimento do que está fora e no futuro e o compartilhamento de ideias entre as pessoas para, juntos, encontrarem novas soluções para os problemas atuais e mais complexos.

Os profissionais precisam aceitar que o mundo em que vivemos necessita de uma nova estrutura organizacional, do contrário, as empresas não vão sobreviver a Quarta Revolução Industrial.

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