As várias personas na inovação

Inovação é verbo de ação. Apenas quando se age é que realmente se inova. E se estamos num mundo conectado estamos falando de uma rede de inovação, pessoas criando valor, transformando e construindo um mundo melhor.

Que personas precisamos quando estamos co-criando? O livro As 10 faces da Inovação de Tom Kelley apresenta um rico arsenal de papeis, máscaras, personas. São elas:

  1. O ANTROPÓLOGO traz observações e insights importantes, pois deixa de lado suas verdades, certezas e “o que sabe” para olhar além das tradições. Ele aposta nos seus instintos, sua intuição e investe em hipóteses. Tem o senso de ver algo pela primeira vez, mesmo que já tenha observado antes. Em suma, é o curioso que busca pistas onde não é “normal” encontrar.
  1. O EXPERIMENTADOR testa novas ideias, aprendendo na tentativa e erro. Assume riscos, tem paixão pelo trabalho, curiosidade mental e abertura para testar. Transforma as ideias em algo tangível. Recusa-se a ficar somente no plano das ideias, gosta de transformar conceitos em palavras, protótipos e modelos.
  1. O POLINIZADOR é o que explora diferentes ambientes para em seguida, justapor ideias aparentemente díspares. Vale lembrar que inovação não vem das melhores práticas, mas de novas praticas. E para desenharmos novas praticas, precisamos ter pessoas diferentes ao nosso lado, misturar culturas, criar espaços que estimulem o novo, aprender com os estrangeiros e se envolver em projetos diversificados e interessantes.
  1. O SALTADOR DE OBSTÁCULOS sabe que a caminhada não é simples e então desenvolve um jeito especial para transpor barreiras. É do tipo que faz mais com menos. Não desiste, tem determinação, busca atalhos, avança por outros caminhos, burla as normas, contorna burocracias.
  1. O COLABORADOR integra e reúne as pessoas, valoriza o time acima dos interesses pessoais criando e recriando novas combinações. São os treinadores incansáveis, proativos e dispostos a usar suas habilidades para manter a coesão do grupo. Num contexto onde formar parcerias, construir equipes, trabalhar em conjunto, é fundamental a presença de pelo menos um colaborador.
  1. O DIRETOR monta o elenco e cria a equipe. É quem planeja a produção, elabora as cenas, reúne os atores, refina o projeto, promove química e faz acontecer. É a persona que atua nos bastidores, toma decisões rápidas, mesmo sem ter todas as informações em mãos. É norte e inspiração para todos.
  1. O ARQUITETO DE EXPERIÊNCIAS projeta vivências irresistíveis, que vão além da mera funcionalidade. O arquiteto de experiências rejeita o comum, tem bom faro para o genuíno e se empenha na busca do autêntico. É a persona certa para lembrar que para tornar-se incomum é preciso deixar de ser comum.
  1. O CENÓGRAFO cria o palco para que as pessoas operem, criem e inovem coletivamente. Eles acreditam que o ambiente de trabalho condiciona o desempenho da equipe. Como a maioria dos locais de trabalho é monótona, o cenógrafo busca o tempo todo oportunidades para revitalizar o ambiente criando espaços colaborativos. Os atuais co-workings são exemplos de ambientes criados por cenógrafos.
  1. O CUIDADOR se antecipa às necessidades e se dispõe a tomar conta das pessoas. É aquela pessoa que deixa suas tarefas, para ajudar o colega a cumprir um prazo apertado. Cuidadores transpiram competência e confiança, e sua simples presença já é tranquilizadora.
  1. O CONTADOR DE HISTÓRIAS é quem reforça o moral por meio de narrativas que revigoram e inspiram. Cria conexões emocionais com histórias que reforçam os valores, alegram o coração, fortalecem o senso de pertencimento e o relacionamento. Lembre-se que as historias são mais convincentes que os fatos, os relatórios e as análises, por que as narrativas criam vínculos emocionais.
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Você como Coach pode, durante o processo, assumir as diferentes personas ou convidar seu Coachee a assumir as diferentes personas, ampliando e expandindo percepções ao invés de assumir o papel do Advogado do Diabo, persona negativa, responsável pela morte prematura de ideias.

É preciso calar o Advogado do Diabo dentro de nós.

 

Este artigo foi publicado na edição 46 da Revista Coaching Brasil (Março/2017)