Entrevista com a IBM Watson

Segunda-feira, 12 de junho de 2017, 09 horas em New York 51, Astor Place, sede da IBM Watson, um encontro mais do que especial com Ramses Abdul Ghani, Global Talent Partner for IBM Watson Group.

A Tecnologia pode pensar? O WATSON pode.

O IBM Watson é uma tecnologia diferente de todas as anteriores e tem provocado uma verdadeira revolução no mundo e mais ainda na própria IBM.

O Watson pode entender a linguagem natural dos indivíduos como texto, tweets, artigos, estudos e relatórios, imagens, sons, enfim dados não estruturados que representam 80% das informações disponíveis nas redes de computadores mundiais.

Quando recebe uma pergunta, o Watson gera uma hipótese e traz além da resposta o nível de confiança para apresentá-la. E então, o Watson mostra os passos que tomou para chegar nesta resposta.

 

Podemos então dizer que o WATSON está raciocinando? De certa forma, SIM.

Você não programa o Watson: Você trabalha com o Watson e através das suas interações, ele aprende. Assim como nós. Cada experiência vai tornando ele mais rápido e inteligente, claro, inteligente artificialmente falando.

 

E como tudo isso é possível?

Tudo começa com uma capacidade fantástica de armazenamento e processamento de dados distribuídos num ambiente nas nuvens. Além de permitir o acesso de qualquer lugar em que estivermos, essa capacidade de processamento permite a combinação de milhares de variáveis ao mesmo tempo. E informações não faltam, pois uma base de conteúdo digitalizado está a nossa disposição. Hoje somos capazes de gerar e digitalizar informações em um dia o que levávamos, há muito pouco tempo atrás, décadas.

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A ciência da Inteligência Artificial permite o reconhecimento de imagens, tradução de voz para texto e vice-versa, detectar sentimentos, enfim, recursos tecnológicos que permitem interpretar e extrair conhecimento de todo esse conteúdo não estruturado disponível. A partir deste conhecimento podemos construir soluções que irão tornar nosso mundo muito melhor.

 

E que soluções são essas?

Partindo do princípio que o Watson aprende com as próprias interações se tornando mais inteligente e rápido, ele é capaz de analisar contextos cada vez mais complexos. Ao apresentarmos um problema, o WATSON é capaz de considerar um volume muito maior de dados e situações, dados não estruturados com texto, imagens, áudios e etc. e em seu processo de análise nos apresentando soluções muito mais eficazes.

Imagine que você queira conhecer o comportamento, as prioridades, tendências ou características de uma determinada população que circula em uma rede social, inclusive na rede de sua própria organização. O Watson é capaz de analisar todas essas relações que circulam nas redes e apresentar padrões de respostas que sinalizam tendências importantes, movimentos de grupos, nos indicando as melhores possibilidades de interações.

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Na área médica ou financeira, ajuda os profissionais a partir de determinados cenários, considerar milhares de informações rapidamente, ajudando no melhor diagnóstico e, consequentemente, nas melhores intervenções.

 

E como o WATSON mudou a própria IBM?

Quando a própria IBM percebeu que estava diante de uma grande solução tecnológica, atual e ao mesmo tempo desruptiva, decidiu estrategicamente considerar o Watson como uma empresa a parte, autônoma, livre para definir processos, práticas de gestão, modelos de negócio, orçamentos, enfim, todas as condições para garantir sua respectiva consolidação.

“Protegendo o Watson desta forma, garantiu velocidade no desenvolvimento dessas novas soluções e menor resistência da IBM tradicional”.

Posterior à consolidação, o desafio da IBM foi transferir ou contaminar toda essa nova tecnologia e modelo de gestão para a centenária IBM e suas respectivas linhas de produto.  Para isso adotou as seguintes estratégias:

“Embarcar o Watson em todas as suas linhas de produtos garantindo as imensas vantagens da Inteligência Artificial em todos os negócios do grupo”.

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Reforçar na cultura da IBM os conceitos de cliente, colaboração, experimentação, necessários em um ambiente de maior complexidade e velocidade de mudança e mudar a mentalidade de uma cultura de engenheiros (visão de produto e de dentro para fora) para uma visão e mentalidade de customer experience, consumidor.

 

E como isso ocorreu na prática?

A transformação se deu em todas as dimensões organizacionais: desde a mudança nos espaços físicos que favorecem o processo de trabalho em equipe e colaboração até o desenho das carreiras dos respectivos profissionais. Processos, atividades e competências foram totalmente restruturados. Conceitos como Design Thinking e Agile foram amplamente vinculados a grande parte das carreiras.


E o RH?

Como grande parte dessa transformação passou por mudanças de comportamento, o RH teve um papel crítico no estabelecimento de novos processos organizacionais, papéis, competências e desenvolvimento.

Um exemplo dessa mudança foi envolver, todos os colaboradores ao redor do mundo, no processo de discussão e busca de solução para a avaliação de desempenho. Foram perguntados como gostariam de ser avaliados e o resultado foi um sistema que valoriza para a cultura de feedback – apreciation, coaching e evaluation.

A jornada está só no começo, ainda há muita mudança para acontecer com a ajuda do Watson.