Designers para um Novo Mundo!

Estamos diante de um momento único, uma sobreposição de três grandes transformações: as tecnológicas, em especial as digitais que geram novas possibilidades de conexão e de produção; a transformação social e política, que remete a novos vínculos e a emergência de novos valores; e a transformação econômica, que vem revolucionando as formas de produção e de distribuição de riqueza.

A complexidade deste novo mundo se impõe, está dentro de casa e é necessário um novo olhar para entendê-la e sabe lidar com ela.

Essas crises sucessivas e constantes são consequências de tentarmos dar antigas respostas à esta nova realidade. Agimos tentando resolver novos problemas com velhas receitas.

A insistência em interpretarmos estas transformações com o modelo mental vigente, linear, baseado no comando e no controle, está nos levando a ampliação da crise, seja na vida das pessoas, das empresas, das instituições e da sociedade. Esta crise tem, pelo menos, três facetas: uma crise de valores e propósitos; uma crise social e ecológica; e uma crise econômica sem proporções.

Imagem relacionadaNão nos parece saudável nos adaptar a um sistema doente. Precisamos repensar a forma como fazemos negócio, como lidamos com a natureza, como encaramos a tecnologia, como nos relacionamos e como fazemos gestão de pessoas.

A insistência em manter o modelo econômico vigente onde resultados estão focados exclusivamente nos interesses imediatos de uma parcela dos envolvidos, os acionistas, acima de questões como meio ambiente, pessoas e sociedade, está nos levando a uma competição exacerbada que contamina as relações de confiança, exclui a ética e a verdade nas relações comerciais e pessoais, gerando no ambiente de trabalho as doenças e a fuga das novas gerações e comprometendo a própria perenidade e sustentabilidade.

É visível o nível de stress, ansiedade e medo que esse contexto nos coloca.

Precisamos, urgentemente, fazer alguma coisa.

O momento pede empatia, colaboração e a necessidade de reconstruir.

Não dá para não fazer nada! É preciso agir!

 

“A próxima década anunciará novos modelos de negócios e empresas que são inimagináveis hoje, e que mudarão dramaticamente a forma como vivemos, trabalhamos, aprendemos, nos comunicamos e agimos”.

Jeane C. Meister e Karie Willyerd

 

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As transformações tecnologias e das relações estão em um ritmo muito maior do que as nossas organizações são capazes de absorver e responder. Se olharmos de perto, a maior parte das nossas organizações ainda vivem e se constituem no modelo industrial da manufatura, onde as estratégias são definidas pelos líderes, as funções são compartimentadas, as pessoas são “contratadas” para cumprirem tarefas, e para isso trazem certas “competências” específicas, os processos são pensados como uma sequência linear de causa e efeito e sua otimização é buscada na redução dos “desvios” em relação a um padrão previamente determinado.

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A gestão está focada em coordenar as tarefas através do comando e controle para que o “produto” final saia no tempo, na qualidade e no custo planejado.

Esse modelo vigente experimentou enorme sucesso, e acumula ainda muitos avanços. Ainda hoje, quando se fala em “profissionalizar” uma gestão imagina-se implantar este padrão de organização. Cada vez mais, porém, surge um abismo entre a complexidade do mundo e esta “máquina de resolver problemas”. As consequências disto aparecem de várias formas: incapacidade de inovação disruptiva, baixa velocidade de mudança, desconexão com os propósitos das pessoas, desencontro de interesses dos envolvidos, desvios éticos, desconexão entre estratégia e execução, etc.

Embora já exista uma maior consciência desta dissonância, estamos ainda naquele ponto em que o modelo, até então de sucesso, mostra limitações mais nenhum novo modelo emergiu. Sabemos que do jeito que estamos fazendo não estamos encontrando mais os mesmo resultados, mas não sabemos como fazer o novo.

O receio desta incerteza leva a maioria das organizações a recrudescer o “modelo de sucesso” levando a uma aceleração dos dilemas. Buscamos então grandes especialistas em temas específicos (nossos “talentos”), contratamos um “super” CEO a peso de ouro (que já resolveu grandes dilemas), implantamos um hiper sistema de informação, chamamos consultorias especializadas, etc., soluções típicas do paradigma linear, do conhecimento compartimentado dos especialistas, do foco no problema e nas tarefas. Velhas receitas para novos problemas.

 

“Não é saudável se adaptar a um sistema doente!”

Frase anônima escrita num muro anônimo.

 

Embora não haja um novo “modelo” a ser colocado no lugar, algumas tendências já dão sinais: a incapacidade de controlar totalmente o processo a partir de uma visão única, o conhecimento está nas conexões não em um ponto específico; o processo e a qualidade das relações são mais importantes do que as funções, os cargos e as tarefas; as “soluções” estão em função das relações e não o contrário; todo o sistema e seus interessados devem compartilhar propósitos e visões; o sistema gera valor para todo o seu entorno; etc.

Como então gerar esta transformação dentro das organizações atuais, se todo um sistema educacional, de carreira e de administração fortaleceu o modelo de sucesso vigente?

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Nosso modo de ver o mundo sustenta o entendimento desse ambiente?

Estamos prontos para a muvuca do mundo vuca?

Serão as organizações capazes de produzirem estas mudanças por dentro das suas próprias estruturas?

Como reduzir os receios, ampliar a participação de todos no sistema?

Como suspender, mesmo que temporariamente, os modelos mentais, para permitir a emersão de novos padrões?

Estamos preparados?

Para responder estas questões, muitas organizações já buscaram mudar seus desenhos organizacionais, a estrutura, a nomenclatura das funções, etc., sem antes, porém, questionar os paradigmas mais profundos. A tentativa de uma resposta rápida e definitiva se alimenta no mesmo paradigma linear. É a crença na mudança periférica ou paliativa.

 

“Nenhum problema pode ser resolvido pelo mesmo estado de consciência que o criou”

Albert Einstein

 

Acreditamos que é o momento de uma abordagem exploratória, totalmente alinhada com a complexidade e que contenham os elementos já citados acima.

As organizações vão precisar “inocular” no seu seio o próprio antídoto.

Uma nova abordagem, um novo tipo de profissional e uma nova metodologia que possa criar espaços organizacionais onde o potencial da teia de conhecimentos esteja totalmente disponível ao grupo, que o foco esteja nas conexões e nas relações geradas.

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Uma abordagem, um profissional e uma metodologia que não estejam comprometidos com o modelo de sucesso vigente, e que possa, portanto, suspender temporariamente os modelos mentais operantes. Uma abordagem leve, que possa experimentar soluções com desapego, já que o foco é no fortalecimento das conexões e das relações. Uma metodologia que permita o aprendizado constante e a capacidade de conectar  propósitos e significados no trabalho. As organizações vão precisar de “designers organizacionais”.

Designers organizacionais profissionais, que olham para fora e para o futuro, desenham cenários usando as ferramentas do design e co-constroem projetos que tenham valor para as pessoas, para o negócio e que sejam sustentáveis.

Designer Organizacional é a “Jornada Teia”, um “caminho” que facilite o processo de transição e que leve na sua essência uma proposta de mudança e de transformação organizacional que englobe essas premissas.

  • Desenvolver uma ponte que leve as organizações do velho para o novo e que ajude no desenvolvimento de novas competências.
  • Uma visão de que há uma profunda interdependência entre todos no universo e que estamos organizados em sistemas que se relacionam, sistemas dentro de sistemas, com propósitos, configurações, relações, trocas e processos que configuram a própria realidade e o mundo.
  • Um novo modelo de gestão que coloque no centro das discussões a essência do propósito e o interesse de todos, facilitando inclusive a identificação das respectivas contribuições de cada indivíduo.
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Nossa abordagem começa sempre a partir de um tema onde todos os representantes do sistema são estimulados a pensar como querem que esse tema se desenvolva no futuro, ou seja, partimos sempre do desejo de um futuro comum e compartilhado. Partimos de temas bem concretos que vêm mobilizando o grupo, desde os temas mais táticos até os mais estratégicos. Perguntas como: Como podemos desenvolver novos produtos? Podemos otimizar ainda mais este processo? Como atrair os melhores talentos? Como melhorar a fluxo de informações e comunicação interna? Nossa estratégia é a melhor? Como melhorar nossas relações internas e com os nossos clientes? Que organização queremos ser? Etc..

A partir deste futuro desejado, apoiamos o sistema a repensar seu próprio propósito, contribuições e os respectivos papéis que desejam representar.  Estas decisões terão impactos na maneira como o sistema se organiza para chegar aos resultados, como define prioridades, planos, investimentos de recursos, enfim, as melhores condições para o sistema realizar sua própria vocação.

A Jornada Teia se caracteriza por três ciclos de aprendizagem (Estruturação e Modelagem do Tema que mobiliza o sistema, a Definição e Criação do Futuro Desejado e a Geração de Soluções de Valor) percorrendo as principais dimensões do processo de transformação e decisão da própria natureza do sistema estudado.

Para que esse modelo se insira na cultura será preciso:

  • A formação de profissionais Designers Organizacionais com competências para conduzir os processos de mudança organizacional e geração de soluções de valor utilizando a sistemática Teia;
  • A formação de Líderes Designers Organizacionais com competências para conduzir processos de mudança organizacional e geração de soluções de valor utilizando o sistema Teia;
  • A Consultoria e Desenvolvimento de Projetos com uso da Jornada Teia.

Acreditamos que pessoas interagindo dentro desta nova perspectiva gerarão resultados extraordinários.

Empatia, colaboração e diálogo apreciativo são capazes de gerar um fluxo de inovação e de vida que poderão levar as organizações a outros níveis de resultado, bem como, gerar uma nova realidade.

Pessoas comuns, resultados extraordinários!

 

Artigo escrito por Marco Ornellas, José Cruz e João Cândido.