O mundo necessita de mais líderes exponenciais

A insistência em interpretarmos estas transformações com o modelo mental vigente, linear, baseado no comando e no controle, está nos levando à ampliação da crise, seja na vida das pessoas, das empresas, das instituições e da sociedade.

Estamos diante de um momento único, um grande dilema, uma sobreposição de três grandes transformações: as tecnológicas, em especial as digitais que geram novas possibilidades de conexão e de produção.

A transformação social e política, que remete a novos vínculos e a emergência de novos valores; e a transformação econômica, que vem revolucionando as formas de produção e de distribuição de riqueza.

Não nos parece saudável nos adaptar a um sistema doente. Precisamos repensar a forma como fazemos negócio, como lidamos com a natureza, como encaramos a tecnologia, como nos relacionamos e como fazemos gestão de pessoas.

A complexidade deste novo mundo se impõe, está dentro de casa e é necessário um novo olhar para entendê-la e sabe lidar com ela. Vivemos um mundo volátil, incerto, ambíguo e muito, muito complexo. O mundo necessita de mais líderes exponenciais.

A quem estamos servindo?

Uma nova economia já está em curso e pede novas práticas, novos modelos de gestão e em particular um novo tipo de líder. À medida que alargamos a nossa visão do que é possível, é preciso também mudar o que acontece na prática, isto é, o modus operandi.

LEIA TAMBÉM:  Média e alta gerência ainda rejeitam novas formas de aprendizagem

À medida que entramos em uma era crescente de globalização e conectividade, a responsabilidade dos líderes também se amplia. Eles não podem ficar somente olhando o negócio, mas primeiramente se perguntarem:

  • A quem estamos servindo?
  • O que estamos servindo?
  • Como posso apoiar as necessidades de todos a minha volta, colaboradores, clientes, parceiros?
  • Estamos num caminho sustentável e viável?
  • Estamos construindo o mundo no qual queremos viver?

A exponencialidade das mudanças e as transformações é um fato e a nossa capacidade de absorção desse ritmo é menor que a velocidade das mudanças. O gap entre esses dois movimentos só tende a aumentar por mais que façamos algo.

É como estarmos numa esteira rolante, se andarmos no ritmo dela simplesmente não sairemos do lugar, precisamos ir além. Em um mundo exponencial precisamos urgente de líderes exponenciais.

Navegar nesse mundo complexo e exponencial exige fazer escolhas para transformar recursos escassos em oportunidades abundantes para impactar de forma positiva e sustentável comunidades e gerações muito além das nossas.

Como se comportam os líderes exponenciais?

Para prosperar nesse mundo exponencial exige profissionais e líderes também exponenciais. Inspirado nas ideias da Lisa Kay Solomon, presidente e diretora-geral de Práticas Transformacionais da Singularity University, que sugere que somente assim será possível construir um futuro inclusivo, equitativo, positivo e abundante em que todos nós queremos viver eu penso que uma nova geração de líderes com novos atributos está sendo exigida.

LEIA TAMBÉM:  RH como um Designer Organizacional II - Desafios da Área de Recursos Humanos

Líderes que consigam:

  1. Olhar para fora e para o futuro e que sejam capazes de transformar surpresas em antecipação, sejam capazes de explorar o desconhecido, descobrir novos padrões e eventos e principalmente que se inspire e se envolva pelo que acontece fora da sua zona de atuação e pelo futuro. Olhar da curiosidade e da paixão pelo novo, incerto, caótico e complexo.
  2. Olhar para dentro e para a sua organização – cultura, estrutura, pessoas, processos, estratégias e pensar em soluções inovadoras e modelos a partir das pessoas. As soluções, as melhores ou as boas práticas estão dentro e não fora das organizações.
  3. Não é possível os dois movimentos anteriores se esses mesmos líderes não estiverem conectados, mergulhados e inseridos na revolução tecnológica e digital, vivendo e experimentando todo os sabores desse mundo tecnológico. Como saber os efeitos da AI ou da revolução tecnológica se estamos apartados ou distantes deles.
  4. Se somos capazes de olhar para o futuro, nos utilizarmos da tecnologia e pensarmos de maneira inovadora, precisamos melhorar urgentemente todo o entorno e a sociedade como um todo. Líderes do futuro precisam ter o olhar humanitário. As organizações são espaços ainda pautados pelo controle, opressão, falta de liberdade e infelicidade.
  5. Eu acrescentaria ainda uma boa dose de otimismo, ousadia e questionamento para navegar num mundo cada vez mais paradoxal e ambíguo. Mais do que resilientes, precisamos viver a complexidade com alguma simplicidade, alegria e fluidez para tomarmos decisões mais rápidas, com mais riscos e sem medo de errar e começar de novo.
LEIA TAMBÉM:  Veja algumas razões por que sua estrutura antiga está impedindo seu crescimento

A convergência essencial

A combinação desses atributos me remete a convergência de dois mundos: a arte e a tecnologia.

A convergência dos soft e hard skills nunca foi tão necessária para a atuação de um líder como no mundo de hoje e no futuro. Impossível imaginar hoje um líder que não considere as pessoas, os propósitos e valores ou que ignore ou rechace a tecnologia e a emergência de resultados para a inovação.

Ao praticar essas novas habilidades e atributos os líderes podem melhorar sua capacidade de não apenas se antecipar às mudanças, mas também de fazer escolhas proativas que conduzam a futuros mais positivos e produtivos para suas organizações, suas comunidades e o mundo.

Visite nosso site, acesse nosso blog e leia mais sobre o assunto:

http://www.ornellas.com.br/business/feedback-como-criar-cultura-dar-receber-feedback/

http://www.ornellas.com.br/recursos-humanos/o-que-o-google-pode-ensinar-para-o-rh/