Média e alta gerência ainda rejeitam novas formas de aprendizagem

Na era da tecnologia e inovação, pode ser difícil acreditar que ainda existem pessoas que insistem em utilizar métodos padrões no dia a dia de trabalho. E isso é comum entre profissionais seniores e aqueles que ocupam cargos de gerência.  Ficou estagnado na mente de muitos profissionais que ocupam cargos de gerência que o modelo válido de aprendizagem ainda é aquele formal, em universidades e/ou instituições de renome.

E considerando que a gerência é uma das principais responsáveis pela motivação dos funcionários e o ponto onde mudanças são viabilizadas ou congeladas, uma realidade como essa mostra um problema preocupante dentro das organizações. São os gestores os responsáveis por implantar novas estratégias dentro da empresa. Com isso, o resultado é uma enorme dificuldade na inovação de processos.

É importante ressaltar que, normalmente, os profissionais que ocupam cargos de gerência estão em uma fase da carreira que carece de atualização, conexão tecnológica e visão de futuro. E esse é outro fator emblemático dentro das empresas. O treinamento tradicional, realizado em sala de aula, com um professor e durante um longo período de trabalho, além de ser caro, atrapalha, muitas vezes, a produtividade e os resultados são questionáveis ou nem sempre o esperado. Mas, mesmo assim, médias e altas gerências ainda não estão dispostas a novas formas de aprendizado.

O problema dessa aversão é que as novas necessidades do mercado exigem exatamente o contrário. Mais produtividade, processos otimizados e flexibilidade. E a falta de alternativas não é uma desculpa. Modalidades como self-learning são cada vez mais utilizadas e provam efetividade. Além disso, permitem que os funcionários tenham liberdade para definir um calendário de aprendizado que faça sentido para o seu ritmo e fluxo de trabalho e não interfira nas suas demandas.  E ainda ganham tempo para colocar seu aprendizado em prática e testar novas formas de realizar suas tarefas.

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Estamos na era da desescolarização da sociedade, segundo Ivan Illich uma “sociedade sem escolas”.

É compreensível que grande parte desses gestores tenha dificuldade em aderir novos modelos de aprendizado. A maioria deles foram formados em escolas e em modelos convencionais de ensino, vem de uma longa jornada de estudo, tem anos de carreira e está habituada aos processos antigos e modelos tradicionais. Porém, novamente, esta não é (e não pode ser) uma desculpa. O mercado atual pede cada vez mais agilidade e inovação e os gestores deveriam ser os primeiros a estimular esses fatores dentro das organizações. São eles os responsáveis pelo primeiro passo de muitas iniciativas nas empresas e os colaboradores seguem seus passos.

Evoluções tecnológicas e a mudança contínua do comportamento dos indivíduos confirmam que é preciso evoluir juntamente às tendências para estar de acordo com as perspectivas da força de trabalho e aumentar a competitividade no mercado. É necessário ter profissionais dispostos a seguir por esse caminho, pois aqueles que se apegarem à modelos obsoletos e retrógrados podem perder suas colocações e prejudicar a carreira. Além disso, insistir em se manter dentro da caixa e não buscar a inovação não é algo que prejudica apenas a si próprio, mas também aos outros que trabalham ao seu redor. Pois, dessa forma, você será o responsável pelo declínio da carreira de cada um dos seus colaboradores.

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A importância de mudar

Considerando o fato de que estamos passando pela Quarta Revolução Industrial, é de conhecimento de todos que mudanças serão necessárias. De início, falava-se muito sobre o fim dos empregos e a substituição da mão de obra humana pelo trabalho de robôs. Porém, segundo uma pesquisa do Institute For The Future, o cenário pode ser bastante diferente, sendo que 85% das profissões que vão existir em 2030 ainda não foram criadas. Ou seja, muitas funções vão, sim, deixar de existir. Mas isso vai acontecer para que a inteligência humana seja utilizada com mais sabedoria.

É comum falar de futuro com o tom de que é algo distante de acontecer, ou que nós não estaremos vivos para ver essas mudanças. Mas, a verdade é que esse futuro do qual falamos já pode ser avistado. Se, atualmente, as gerências já carregam o peso da responsabilidade de inovar e estimular suas equipes a fazer o mesmo, em um futuro próximo esse peso será ainda maior.

O ser humano tem como característica rejeitar mudanças, pois elas obrigam o cérebro a trabalhar e sair da zona de conforto. E isso não pode ser encarado como algo ruim. Estamos em constante evolução e tudo o que a tecnologia e as novas formas de trabalhar oferecem são alternativas para que o nosso trabalho contribua cada vez mais para o desenvolvimento.

Diferente das outras revoluções industriais, esta acontece em velocidade impactante, exponencial e especialistas dizem que é inigualável a qualquer outra experiência vivida pelo ser humano. Como o prazo é curto, as mudanças dentro das organizações e, também, por parte dos profissionais precisam começar imediatamente. Esse processo, provavelmente, será lento e vai requerer grande esforço por parte de todos. Ainda não existe uma receita de como fazer isso acontecer, tampouco o jeito certo de se portar em um cenário como esse. Mas, o que é claro para todos é que este é o momento de tentar, de experimentar e de trabalhar novas ideias que se adequem às condições futuras do mercado.

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Rejeitar novas formas de aprendizagem, hoje, pode impedir que você esteja apto a trabalhar no mercado do amanhã. E o processo de mudança deve partir do RH, pois são esses os profissionais, junto às lideranças, que guiam os colaboradores para o caminho do futuro e os preparam para viver em uma era completamente nova.

Este é o momento de se basear no passado apenas para pensar em soluções diferentes para o futuro. Experimentar novas ideias e aprender com os erros deve ser algo recorrente e um hábito para todos dentro de uma organização. Dessa forma, todos caminham para o mesmo lugar e compartilham do mesmo objetivo.

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