Governança corporativa ainda exige prática, mas 2017 foi ano de avanços importantes na teoria

Reportagem do Estadão com entrevista de Geovana Donella, CEO da Donella & Partners e colaboradora da Ornellas Associados.

O ano de 2017 se encerra com um saldo positivo para a área de governança corporativa, ao menos na esfera normativa. Agora, resta saber quando essas regras terão reflexo prático no dia a dia das empresas.

Para a professora de Direito do Insper, Pâmela Romeu Gomes, este foi um ano de evolução, em que conceitos abstratos foram melhor compreendidos.

 “As companhias tomaram consciência da importância do desenvolvimento de uma boa governança corporativa, em um ano cheio de exemplos de que empresas pegas em esquemas ilegais podem de fato pagar por seus erros”, diz. 

Ela acredita que o caminho é seguir valorizando as boas práticas e adaptando as regras existentes. “Além de aprimorar a efetividade dessas normas, é preciso adaptá-las à realidade de cada empresa. Isso garante seu aproveitamento máximo de acordo com cada estrutura. 2017 foi um bom ano para nos indicar esses caminhos.”

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A CEO da Donella & Partners, Geovana Donella, afirma ter visto na prática que o interesse por governança corporativa cresceu. “Temos exemplos de que não apenas as grandes companhias estão buscando aplicar as regras da área, mas também as menores, as familiares, startups. Assim como há pessoas procurando profissionalização de maneira independente. Tudo isso é muito positivo, mostra que estamos avançando”, conta.

A especialista aponta que o Brasil encontra-se em uma curva de aprendizado em compliance a governança corporativa. Assim, tão natural quanto essa busca por conhecimento, tanto de pessoas físicas quanto empresas, há um espaço para tentativa e erro.

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“De maneira geral, esse é um tema recente em qualquer lugar do mundo. Ainda há muito para avançarmos no Brasil, mas é inegável que as discussões estão mais intensas e que evoluímos em termos de boas práticas nos últimos meses.”

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Entre essas avanços, ela cita a atualização do Código Brasileiro de Governança Corporativa, a resolução 4.467, que regulamenta a remessa de informações relativas aos integrantes do grupo de controle e aos seus administradores e a existência de um canal de denúncias e também a criação de um sistema de compliance para instituições financeiras.

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O coordenador do MBA de Gestão de Riscos e Compliance da Trevisan Escola de Negócios, Renato Almeida Santos, afirma que são normas como estas que evidenciam os avanços recentes, garantindo mais parâmetros.

“O ano de 2017 trouxe mais avanços na teoria do que na prática, mas isso não é ruim. É importantíssimo que regras que não estavam tão claras ganhem maiores contornos e aperfeiçoamento. Isso pavimenta o caminho para que a prática seja estabelecida.

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